Não pensei duas vezes. Minha primeira reação foi dar lhe uma bela de uma surra. As pessoas olhavam-me ao redor com espanto. Nem imaginava minha expressão diante aquele acontecimento. Meu rosto ardia, era o ódio, extinto de mim há um bom tempo.
Ao ver o sangue em sua boca, abri um sorriso triunfante. “Perdedor“, pensei. Ninguém nunca passou por cima de mim e não seria um Zé Ninguém que conseguiria. Não olhei em seus olhos, mas sabia que o sentimento de raiva era superior a qualquer coisa, ainda mais apanhando por uma mulher. Só que ele não sabia que esta mulher era eu. “Perdedor“, respeito é bom e conserva os dentes, literalmente! Acho que sempre passei a imagem de uma mulher séria, metida para os que não me conhecem. Depois dessa, os adjetivos vão ser presente por onde eu passar. “Foda-se”, pelo menos criam respeito por mim.
Respeito? Bater nas pessoas cria-se respeito? Sempre soube que respeito a gente traz de casa, em uma boa estrutura familiar, aliada com educação e sensibilizada de ética, desde nosso nascimento até a fase adulta. Sabemos também que, confrontos NÃO resolvem situações. Só mostram força e força não são palavras. A violência, opressão, veemência, irascibilidade ou como queiramos chamar, é a expressão física e totalmente imoral de representar sua indignação diante palavras que causaram irritação – no caso uma briga de dois corpos. Não demonstra inteligência, pois sábios nós sabemos que são seres pensantes e assim, usam palavras – como diria Platão, “penso, logo existo” – não demonstra uma pessoa psicologicamente equilibrada e muito menos respeito.
Voltei para casa pensando… Eu mostrei o que para o “Perdedor“? Mostrei o que para os que me assistiam? Ignorância e egoísmo, concluí. A raiva é tão grande que supera qualquer razão. Ignorante por tomar uma atitude de uma Zé Ninguém e egoísta por esquecer da bagagem que trouxe de casa, a educação, a postura, a dignidade. Acrescento ainda um prefixo a esta última e indignidade vem a minha cabeça. Será que sou apenas mais um fruto do que a sociedade prega? Nós reclamamos de outros, mas fazemos o mesmo, cuspimos no prato que comemos. O ser humano dotado de uma capacidade de raciocinar invejável comparado com qualquer outro animal do planeta, como pode então errar? Agir como um animal irracional?
Levanto da cama assustada, são 8 horas da manhã e o dia vai começar. Abro com um sorriso e agradeço por ser apenas um sonho.
“É um sinal”, pensei. Mesmo muitos achando hipocrisia defronte a situações estressantes, é a melhor maneira de escapar de impulsos e conseqüências desastrosas. Uma explicação quase óbvia, porém química ao corpo humano: a calma mantém o cidadão ao seu estado normal do corpo e conseqüentemente pensando mais antes de agir de mal maneira. A irritabilidade produz substâncias ao corpo capaz de alterar dilatação dos olhos, mudança na corrente sangüínea, imunidade, respiração e nem se fala na forma de pensamento! Ou seja, o que nos parece mais sensato, como responder a altura, acaba ocasionando maiores problemas.
Admito que na hora senti-me fraca, ridicularizada, ouvi até alguns zombarem de mim. Mas ao final das contas pude dizer “não pensei nem duas vezes e tomei a escolha certa”. Estava semeando o que eu aprendi, até mesmo para aqueles que não mereciam, o respeito. Enfim, acordei triunfante.
Flávia Mazzêo.


A agressão é a primeira demonstração da falta de argumentos. Em contrapartida, é a melhor maneira de se livrar da ira.
Parabéns, senhorita! Estamos indo muito bem!
Beijo grande!